Treinar Também o Cérebro?
Data: 11/04/2014

A importância dada ao componente mental na performance esportiva aumentou significativa nos últimos anos . cientista e treinadores começaram a tratar o "Endurance" mental como mais um item a ser trabalhado. Mas agora um grupo propõe series de treinos especificas para o cérebro, sem corrida.
O que limita nossa performance? Na resposta para essa pergunta , escondem- se os segredos do treinamento físico. É o raciocínio do elo mais fraco, em que a parte mais limitada do sistema é aquela que precisa ser melhorada para que toda corrente possa ser considerada mais forte.
Nas instruções de corrida, por muito tempo, pensava-se que a capacidade aeróbica era o tal elo entre o mais fraco, e o foco da preparação era quase que exclusivamente a melhoria do sistema cardiorrespiratório. Conforme as técnicas de treinamento evoluíram, mais ênfase passou a ser dada a outros fatores, como a distribuição de ritmo ao longo da prova, economia de movimento, técnica de corrida, velocidade máxima, etc. mais recentemente, o papel do cérebro na regulação do esforço e performance tem chamado a tenção de cientista e treinadores.
Por exemplo, existem estudos mostrando aumento de força máxima a parti da visualização mental de exercícios. Isso mesmo, simplesmente a parti de ”imaginarem- se” treinando, os participantes do estudo tiveram  índice de aumento de força similares aos que do s que efetivamente realizaram protocolos de treinamento. Esses trabalho, contudo, são normalmente realizados com grupos musculares pequenos, pouco utilizados no dia a dia , e por isso não podem ser imediatamente extrapolados para o que aconteceria se apenas nos imaginássemos numa sala de musculação! Nos estudos citados, o exercício consistia em movimentar o dedo mínimo da mão. Limitações a parte, a conclusão permanece que o sistema nervoso  pode ser “otimizado” e reprogramado para melhorar a performance.
Utilizando ideias sobre o papel da mente sobre a regulação do desempenho, surgiu um novo paradigma sobre o treinamento físico , tendo cérebro como parte central da performance ( e não o sistema cardiovascular), defendido por Tim Noakes em Lore of running, e depois por outros autores como Matt Fitzgerald (brain training for runners)
A INFLUENCIA DA DOR.  A teoria é que a performance não é controlada puramente pelos limites da fisiologia, mas sim por quanta dor e desconforto o cérebro(cérebro aqui é uma especificação do sistema nervoso) estaria disposto a tolerar durante o exercício. Assim o rendimento especifico nunca é Máximo em termo absoluto da capacidade fisiológica, e sim apenas relativo a tolerância ao desconforto causado pelo quanto o exercício  se aproxima do potencial total. Sendo assim, esses autores propõem series e estratégias de organização de treino que visam n apenas trabalhar a fisiologia , mais também trabalhar a tolerância mental ao desconforto e dor causado pelo exercício.
Se por um lado tais ideias de certa forma iniciaram uma pequena revolução na maneira de encarar os limites dos exercícios e treinamento em si, uma quebra de paradigmas muito maior esta atualmente sendo proposta por um cientista italiano baseado na universidade de Kent na Inglaterra.
Samuelle Marcora defende que o desempenho é ainda mais dependente do cérebro do que jamais  se supôs , e pretende provar isso utilizando estudos semelhantes aos primeiros que mencionamos ,  nos quais se podem constatar que melhoras de performance em teste de ciclismo e corridas são obtidas adicionando-se series “mentais” ao trabalho normalmente realizado pelo atleta.
Marcora já havia demonstrado que atletas submetido a exercício cognitivo  (que demanda esforço mental ao invés do físico)casam mais rapidamente ao realizar teste de corridas ou ciclismo. A parti disso , o autor deduziu que tarefas que demandem atenção mental, como, por exemplo, contas matemáticas ou tarefas de atenção poderiam ser um estimulo suficientemente grande para serem aproveitadas como serie de treinamento.

CONCENTRAÇÃO.  Em um dos seus últimos trabalhos, o pesquisador utilizou o chamado “Brain training” como estimulo adicional ao planejamento de ciclistas, durante doze semanas um grupo deles  treinou
3 vezes por semana enquanto realizava tarefas cognitivas. No estudo, os atletas viam uma sequência de letras em uma tela de computador, e sempre que uma sequência especifica aparecesse , eles deviam clicar em um botão, que os obrigava a manter a concentração na tela, além do esforço a pedalar. Ao mesmo tempo , um segundo grupo realizou as mesmas series de ciclismo, porem sem exercícios no computador . ao final da pesquisa, ambos dos grupos apresentaram melhoras semelhantes em seu consumo Máximo de oxigênio , um indicador de capacidade aeróbica ( ou “puramente” fisiológica). Contudo, quando submetidos a um teste de performance, em que deveriam pedalar com a mesma carga ate o Máximo de sua tolerância . os participantes do grupo de treinamento mental conseguiu superar o grupo que treinou apenas fisicamente. A conclusão dos autores do estudo é que a carga mental extra ao realizar os exercícios de computador serviu para “acostumar “  o cérebro a tolerar níveis mais alto de desconforto ou de esforço, que depois se traduziu em performance.
Os resultados iniciais parecem promissores , e tratando de uma intervenção que demanda apenas um pouco mais de tempo por parte do corredor , literalmente sem adição de esforço físico, esse tipo de trabalho pode vir a ser de grande ajuda para amadores e profissionais em busca de melhores resultados.